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[HISTÓRIA DE PESCADOR] Vangue é o próximo mestre dos saberes populares (20/05/2010)

O projeto "Mestres dos Saberes Populares", da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte (Setuce) de Balneário Piçarras, ouve no próximo sábado o pescador Antônio Laudelino Gruner, o Vangue. A terceira roda de conversa do projeto acontece a partir das 9h30, na casa do pescador, que fica na rua Londrina, número 08, à beira rio, próximo ao ginásio Aurélio Solano de Macedo.

Aos 65 anos, Vangue carrega na pele as marcas da vida sacrificada de pescador e, na memória, histórias de quem viu a pesca artesanal crescer e enfrentar novos desafios junto à cidade em que nasceu. Do mar, tirou o sustento dos sete filhos, dos quais cinco mulheres, e dois homens, também pescadores. Aposentado há quatro anos, ele segue a profissão do pai, um dos pioneiros na região.

- Naquele tempo, quando os barquinhos eram tudo à vela e remo, o peixe era muito, mas o preço, lá em baixo. A gente tinha salga aqui em casa e vendia para a Krause, da Penha. Pra tu ter uma idéia, cem quilos de camarão tinha dia que não valia a pena. Hoje, com cinqüenta, sessenta quilos, o pescador já está satisfeito. Ele já sai de casa sabendo a quanto vai vender o quilo - conta.

Vangue é um defensor do defeso do camarão e acredita que a medida é importante para manter a espécie e a renda dos pescadores. Ele lembra que, antigamente, quando o defeso não existia, os pescadores tinham mais consciência da importância de respeitar a época de reprodução das espécies. E, com a sabedoria e simplicidade de homem do mãe, tem argumentos contundentes para sustentar sua opinião:

- Para o bom pescador de antigamente, como o Marzo, o Zé Albino, o camarão miúdo não servia. Não se jogava rede onde eles estavam e também não se comprava. É o mesmo que pegar os ovos do passarinho no ninho e quebrar. Uma hora vai acabar, acredita.

No entanto, o pescador aposentado também faz críticas a política do defeso. Para ele, o salário oferecido aos pescadores nessa época não é suficiente para garantir o sustento das famílias que vivem da pesca.

Vangue recebe a comunidade para uma roda de conversa no sábado (22), quando será o destaque do projeto "Mestres dos Saberes Populares". Já participaram da iniciativa o historiador José Ferreira da Silva, o Chimboca, e a professora aposentada Alcina de Oliveira Figueredo. Até o fim do ano, o projeto do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural (Compac) e do Governo Municipal vai ouvir os membros da comunidade para registrar a história local e preservar a memória popular. A Setuce irá reunir o material coletado em um arquivo histórico, que também terá um vídeo com o registro das conversas.

Fonte: prefeitura municipal de piçarras

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